Decifra-me


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Theme por late-to-write; base por nightforsummer, com alguns detalhes retirados dos themes da vodkaisbetterthanlove.















Que meu lado sombrio existe, é verdade, e ninguém há de negar. Não conversa muito, consegue mais facilmente enumerar as coisas que gosta do que as que não gosta, não faz esforço por nada nem por ninguém, machuca, é sincero e seu nível de empatia é drasticamente baixo

Isllane Letícia Rodrigues Barboza
“Eu sinto tanta saudade de te amar, de saber que eu te teria, que você me teria, sinto saudade dos beijos, dos carinhos, dos abraços e amassos. Sinto saudade do seu calor, do seu cheiro, e tenho tanta saudade da forma como eu amava você, ou de me sentir verdadeiramente assim, sabe? Preenchida, cheia, inteira. Vivo constantemente procurando uma forma de fazer parar essa falta que me anda sobrando e transbordando pelas bordas da minha vida, e é tão incessante essa forma estranha de querer, de sentir. Às vezes me bate um desespero agonizante lembrar, e de tão grande, acaba se tornando normal. Eu sinto falta de como você me doía, mas isso me fazia sentir mais humana, porque eu estava cheia de amor pra dar, mesmo que você não quisesse, eu sabia que havia nobreza dentro de mim apenas por sentir. Eu sinto falta dos raios de sol iluminando o teu olhar durante as tardes enquanto eu tinha o aconchego dos teus abraços, e sinto falta de como tua risada espontânea me fazia feliz. Eu sinto falta de me sentir assim, sabe? Um pouco mais frágil, um pouco menos controladora, um pouco mais sentimental, um pouco mais mulher! Eu te amava tanto que até doía. Não que te amar me doesse, me doía pensar que ficar sem você seria torturante. Eu não tinha medo de compromisso, eu tinha medo do quanto eu amava você, medo do meu sentimento de que eu não seria feliz sem você, e aqui estou eu, querendo me ver livre do vazio que você me proporcionou, querendo na verdade, respirar por mim mesma outra vez sem que me doa tanto ser pela metade, sem que me doa tanto não ser sua novamente.” Isllane Letícia Rodrigues Barboza

“Eu sinto tanta saudade de te amar, de saber que eu te teria, que você me teria, sinto saudade dos beijos, dos carinhos, dos abraços e amassos. Sinto saudade do seu calor, do seu cheiro, e tenho tanta saudade da forma como eu amava você, ou de me sentir verdadeiramente assim, sabe? Preenchida, cheia, inteira. Vivo constantemente procurando uma forma de fazer parar essa falta que me anda sobrando e transbordando pelas bordas da minha vida, e é tão incessante essa forma estranha de querer, de sentir. Às vezes me bate um desespero agonizante lembrar, e de tão grande, acaba se tornando normal. Eu sinto falta de como você me doía, mas isso me fazia sentir mais humana, porque eu estava cheia de amor pra dar, mesmo que você não quisesse, eu sabia que havia nobreza dentro de mim apenas por sentir. Eu sinto falta dos raios de sol iluminando o teu olhar durante as tardes enquanto eu tinha o aconchego dos teus abraços, e sinto falta de como tua risada espontânea me fazia feliz. Eu sinto falta de me sentir assim, sabe? Um pouco mais frágil, um pouco menos controladora, um pouco mais sentimental, um pouco mais mulher! Eu te amava tanto que até doía. Não que te amar me doesse, me doía pensar que ficar sem você seria torturante. Eu não tinha medo de compromisso, eu tinha medo do quanto eu amava você, medo do meu sentimento de que eu não seria feliz sem você, e aqui estou eu, querendo me ver livre do vazio que você me proporcionou, querendo na verdade, respirar por mim mesma outra vez sem que me doa tanto ser pela metade, sem que me doa tanto não ser sua novamente.”

Isllane Letícia Rodrigues Barboza

Deixo-me levar…

“Numa noite de sexta-feira a solidão invade o espaço opaco que reflete a intensidade de ser só um. O cheiro de café recém passado cobre a sala de estar com um aroma fulminante, misturando-se lentamente ao cheiro do cigarro que ousa silenciar os anseios da alma. Depois de alguns goles de café, após calar a minha alma, arrisco-me a beijar suavemente os lábios do copo frio com um pouco de vodka para esquentar o coração com a presença das lembranças que estão por vir. Elas vêm, sentam-se lado a lado que é pra não sobrar nenhum espaço, conversam ruidosamente, e então os sussurros tomam formas de brisas, abraços apertados e beijinhos no ouvido. São fortes, intensas, arrepiantes, saudosas e nostálgicas. Tão vivas e inteiras que chegam a ser dignas de observação, chegam a ser dignas de uma breve rememoração. Às vezes eu me permito trocar pequenas conversas com o nada usando as palavras mais remotas e personalizadas do silêncio, e às vezes eu prefiro apenas me trancar na agonia dos meus pensamentos. Deixo-me caminhar pelo vão preenchido por ausência e me deixando sentir a leveza do chão frio a me causar tremedeiras internas quase que imperceptíveis. Entrando na madrugada congelante, meu ouvido deseja voz, minha ansiedade deseja paz, minha vontade deseja presença, minha mente deseja ligações, e apesar de gostar alguns momentos da solidão, meu coração deseja calor. Às vezes eu imagino que nunca poderei vencer o tempo. Tão poderoso, necessário e indispensável, o tempo tenta me controlar, tenta me dar algumas respostas, eu até tento ouvir, e diante desta disposição, eu ouso perguntar ao tempo em que tempo eu me perdi. Em que tempo alguém vai me encontrar…” Isllane Letícia Rodrigues Barboza

“Que meu lado sombrio existe, é verdade, e ninguém há de negar. Não conversa muito, consegue mais facilmente enumerar as coisas que gosta do que as que não gosta,  não faz esforço por nada nem por ninguém, machuca, é sincero e seu nível de empatia é drasticamente baixo. Meu lado sombrio às vezes esquece pra que serve um coração, e nada nele parece doer. Constantemente vive o alívio de ser egoísta, de sentir-se assim, e acredita que antes ter uma alma impiedosa e abusar dos pecados a ter um coração partido por obra dos outros com quem convive. Por um lado ele está certo, não é mesmo? Proteger-se antes de virar a caça de alguém, camuflar-se a esse ponto, porque a verdade é que existem predadores esperando que sua presa se confesse fraca.  Eu sou forte. Eu consigo. Eu posso. Eu domino.  Meu lado ruim me faz com que eu supere coisas altamente emotivas, coisas que afetam a maioria, e que ao contrário de mim, faz os outros desejarem parar suas vidas.  Eu nunca paro, é verdade. Minha vida é um jogo, e cada acontecimento é um ponto de continuidade. Eu jogo esperando sentenciar game over para o meu oponente.  Não me ache maldosa, uma vadia egocêntrica, só quero que você me veja como alguém que tem coração, mas que na maioria do tempo não acha necessário usá-lo.  Não machuco sem antes ser machucada, nem caso danos sem antes terem me causado, na maior parte do tempo prefiro ficar sem reação nenhuma, não sentir nada para não fazer os outros sentirem tudo. Ninguém quebra a mim, ao meu coração, muito menos a minha alma. Eu consigo sentir, e quando sinto, sinto até demais, mas no momento estou deixando meu coração respirar e decidir por si só quem ele irá querer ser. O jogo recomeçou, não há tempo à procura de respostas. Vamos jogar?”Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

“Que meu lado sombrio existe, é verdade, e ninguém há de negar. Não conversa muito, consegue mais facilmente enumerar as coisas que gosta do que as que não gosta, não faz esforço por nada nem por ninguém, machuca, é sincero e seu nível de empatia é drasticamente baixo. Meu lado sombrio às vezes esquece pra que serve um coração, e nada nele parece doer. Constantemente vive o alívio de ser egoísta, de sentir-se assim, e acredita que antes ter uma alma impiedosa e abusar dos pecados a ter um coração partido por obra dos outros com quem convive. Por um lado ele está certo, não é mesmo? Proteger-se antes de virar a caça de alguém, camuflar-se a esse ponto, porque a verdade é que existem predadores esperando que sua presa se confesse fraca. Eu sou forte. Eu consigo. Eu posso. Eu domino. Meu lado ruim me faz com que eu supere coisas altamente emotivas, coisas que afetam a maioria, e que ao contrário de mim, faz os outros desejarem parar suas vidas. Eu nunca paro, é verdade. Minha vida é um jogo, e cada acontecimento é um ponto de continuidade. Eu jogo esperando sentenciar game over para o meu oponente. Não me ache maldosa, uma vadia egocêntrica, só quero que você me veja como alguém que tem coração, mas que na maioria do tempo não acha necessário usá-lo. Não machuco sem antes ser machucada, nem caso danos sem antes terem me causado, na maior parte do tempo prefiro ficar sem reação nenhuma, não sentir nada para não fazer os outros sentirem tudo. Ninguém quebra a mim, ao meu coração, muito menos a minha alma. Eu consigo sentir, e quando sinto, sinto até demais, mas no momento estou deixando meu coração respirar e decidir por si só quem ele irá querer ser. O jogo recomeçou, não há tempo à procura de respostas. Vamos jogar?”

Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

“É uma sensação boa acordar cedo pela manhã e se descobrir o fruto proibido de alguém, e uma sensação melhor é saber que também tenho um fruto proibido. Não posso comer, não posso tocar, não posso beijar, mas mesmo assim como, beijo e toco. Não posso direcionar meus pensamentos a esse fruto proibido, mas mesmo assim me permito ser invadida por ele, permito-me ser abordada por lembranças, sensações, perfumes. E me deixo, sabe? Deixo-me ser por inteiro dele. Eu fico confusa, fico abismada, inquieta, com insônia, mas eu sei que independente do que aconteça ele me pertence e eu o pertenço. Não mantemos laços afetivos totalmente esclarecidos, não precisamos disso, só ficamos assim, eu, ele, nós e o silêncio, e às vezes uns zumbidos que nossos olhares ousam em trocar.  Ser um fruto proibido, ter um fruto proibido, ser consumido pelo excesso do fogo lascivo que nos corrompe e que nos matem vivos, inteiros, saciados e insaciados.  Não preciso dizer que minha fome por você aumenta, que aumenta a vontade de que minha língua percorra a sua boca, o seu corpo, e não preciso dizer que meu corpo anseia o suor do teu a ponto de propiciar um encaixe perfeito e que não permita nenhuma abertura.  Meus pensamentos incontroláveis gritam desesperadamente pela tua presença, pelo teu abraço, pelo cheiro do seu cabelo, pelo calor da sua pele, por você. Quero teu silêncio próximo ao meu, ou quero ser silenciada pela tua boca afagando a minha, pelo teu toque no meu corpo, quero que você me sinta, quero te sentir também.  Deixa que sejamos envolvidos pelo sabor do íntimo, pela força do proibido, e que deixamos ser dominados pelo desejo e pela volúpia de se consumir… Vontade de te manter como meu fruto proibido, vontade de me manter seu fruto proibido… Vem se saciar? Tira uma dentada, não mata, não engorda, mas alimenta o fogo que existe entre nós e que faz com que nossas almas se desejem lenta e profundamente.”Isllane Letícia Rodrigues Barboza

“É uma sensação boa acordar cedo pela manhã e se descobrir o fruto proibido de alguém, e uma sensação melhor é saber que também tenho um fruto proibido. Não posso comer, não posso tocar, não posso beijar, mas mesmo assim como, beijo e toco. Não posso direcionar meus pensamentos a esse fruto proibido, mas mesmo assim me permito ser invadida por ele, permito-me ser abordada por lembranças, sensações, perfumes. E me deixo, sabe? Deixo-me ser por inteiro dele. Eu fico confusa, fico abismada, inquieta, com insônia, mas eu sei que independente do que aconteça ele me pertence e eu o pertenço. Não mantemos laços afetivos totalmente esclarecidos, não precisamos disso, só ficamos assim, eu, ele, nós e o silêncio, e às vezes uns zumbidos que nossos olhares ousam em trocar. Ser um fruto proibido, ter um fruto proibido, ser consumido pelo excesso do fogo lascivo que nos corrompe e que nos matem vivos, inteiros, saciados e insaciados. Não preciso dizer que minha fome por você aumenta, que aumenta a vontade de que minha língua percorra a sua boca, o seu corpo, e não preciso dizer que meu corpo anseia o suor do teu a ponto de propiciar um encaixe perfeito e que não permita nenhuma abertura. Meus pensamentos incontroláveis gritam desesperadamente pela tua presença, pelo teu abraço, pelo cheiro do seu cabelo, pelo calor da sua pele, por você. Quero teu silêncio próximo ao meu, ou quero ser silenciada pela tua boca afagando a minha, pelo teu toque no meu corpo, quero que você me sinta, quero te sentir também. Deixa que sejamos envolvidos pelo sabor do íntimo, pela força do proibido, e que deixamos ser dominados pelo desejo e pela volúpia de se consumir… Vontade de te manter como meu fruto proibido, vontade de me manter seu fruto proibido… Vem se saciar? Tira uma dentada, não mata, não engorda, mas alimenta o fogo que existe entre nós e que faz com que nossas almas se desejem lenta e profundamente.”

Isllane Letícia Rodrigues Barboza

“Primeiro a respiração ofegante começa a invadir o pescoço levianamente se misturando ao seu calor, ao seu perfume e ao seu suor. Bem devagar os corpos começam a se apresentar. Mostram-se passivos e lascivos, encaixam-se, mostram-se donos e subordinados ao silêncio e à solidão que preenchia as lacunas sugestivamente profanas do momento. As bocas começam a se iludir permitindo mergulhar no sabor profundo do beijo. Movimentos delicados existentes invadem as mentes pervertidas no momento a ponto de levarem elas a transcenderem o irreal; a sincronização exalada é totalmente perfeita como também perigosa, além de excitante. Na sala há apenas uma coisa: indivíduos presos à liberdade. Um deles arriscou puxar o outro pelo quadril para mais perto ignorando os olhares atentos das paredes, naquele momento os sexos acabaram de se conhecer, exaltaram-se, desejaram-se, imploraram um pelo outro. Continuaram a dançar. Eles tentaram insistentemente ignorar o desejo, ignorar o vislumbre que causavam aos olhos um do outro, o calor que se causavam devido ao vinho tinto seco, o fechar de olhos e o gemido involuntário ocorrido que ainda ecoava entre as quatro paredes daquele lugar. Eles continuavam a dançar e imploravam para que o desejo sucumbisse suas almas, que o pecado de amar fosse a única coisa que os completasse, que os incriminasse, que fosse a única coisa que pudesse arrancar-lhes a vida, o ar, os corações e que os mandasse até mesmo para o inferno se esse fosse o preço. Eles só queriam estar cheios do sentimento que os alimentava lentamente e que os tornava dependentes a cada segundo, a cada momento em que eles ignoravam o apelo singelo de suas almas pedindo para se afastarem. Só se deixavam contaminar pelo fogo, deixavam-se queimar excessiva e compulsivamente os corpos, as línguas, as salivas, os sexos e as vontades. Conheceram-se então em cada toque, em cada olhar de volúpia lançado, em cada respiração ofegante sentida por ambos. Conheceram-se tanto que ficaram se amando daquela forma até atingir o ápice do capricho humano, deixaram-se ser engolidos pelo lado mundano que havia dentro deles e se perderam no horizonte de seus sentimentos insaciados. Os corpos insensatos continuavam a se querer, a se exigir, e as malditas aspirações se deixavam e se doavam, continuavam assim dando continuidade à brasa lasciva que os dominava, que os enchia de fome pelas línguas, pelas salivas, pelos sexos e pelas vontades.” 
Isllane Letícia Rodrigues Barboza

“Primeiro a respiração ofegante começa a invadir o pescoço levianamente se misturando ao seu calor, ao seu perfume e ao seu suor. Bem devagar os corpos começam a se apresentar. Mostram-se passivos e lascivos, encaixam-se, mostram-se donos e subordinados ao silêncio e à solidão que preenchia as lacunas sugestivamente profanas do momento. As bocas começam a se iludir permitindo mergulhar no sabor profundo do beijo. Movimentos delicados existentes invadem as mentes pervertidas no momento a ponto de levarem elas a transcenderem o irreal; a sincronização exalada é totalmente perfeita como também perigosa, além de excitante. Na sala há apenas uma coisa: indivíduos presos à liberdade. Um deles arriscou puxar o outro pelo quadril para mais perto ignorando os olhares atentos das paredes, naquele momento os sexos acabaram de se conhecer, exaltaram-se, desejaram-se, imploraram um pelo outro. Continuaram a dançar. Eles tentaram insistentemente ignorar o desejo, ignorar o vislumbre que causavam aos olhos um do outro, o calor que se causavam devido ao vinho tinto seco, o fechar de olhos e o gemido involuntário ocorrido que ainda ecoava entre as quatro paredes daquele lugar. Eles continuavam a dançar e imploravam para que o desejo sucumbisse suas almas, que o pecado de amar fosse a única coisa que os completasse, que os incriminasse, que fosse a única coisa que pudesse arrancar-lhes a vida, o ar, os corações e que os mandasse até mesmo para o inferno se esse fosse o preço. Eles só queriam estar cheios do sentimento que os alimentava lentamente e que os tornava dependentes a cada segundo, a cada momento em que eles ignoravam o apelo singelo de suas almas pedindo para se afastarem. Só se deixavam contaminar pelo fogo, deixavam-se queimar excessiva e compulsivamente os corpos, as línguas, as salivas, os sexos e as vontades. Conheceram-se então em cada toque, em cada olhar de volúpia lançado, em cada respiração ofegante sentida por ambos. Conheceram-se tanto que ficaram se amando daquela forma até atingir o ápice do capricho humano, deixaram-se ser engolidos pelo lado mundano que havia dentro deles e se perderam no horizonte de seus sentimentos insaciados. Os corpos insensatos continuavam a se querer, a se exigir, e as malditas aspirações se deixavam e se doavam, continuavam assim dando continuidade à brasa lasciva que os dominava, que os enchia de fome pelas línguas, pelas salivas, pelos sexos e pelas vontades.” 


Isllane Letícia Rodrigues Barboza

“Tomo um gole de insanidade, alimento-me de intensidade, perco-me no traçado errante da impulsividade e me deixo, deixo-me ir levemente até que a imensidão me engula e eu suma totalmente por dentro das suas vísceras. Pego na mão do erro, seguro e prometo nunca deixá-lo ir, faço prometê-lo também que nunca me deixará, que nunca me deixará confinada ao acerto, que ele sempre virá como resposta prévia dos meus atos ludibriantes e corretos. Ele fica, eu sorrio timidamente, permito-me até mesmo me confundir em meio às suas palavras e entre o espaçamento delicado entre elas. A agonia por um momento pareceu sumir, desapareço então por trás da fumaça estonteante do cigarro aceso na varada e me deixo ser hipnotizada pelos tormentos abstratos da minha cabeça.Penso no “tic-tac” melancólico do relógio no segundo corredor à direita no meu apartamento, vejo as minhas oportunidades que parecem estar escorregando discretamente das mãos, vejo as cores cintilantes no céu, vejo os amores que tive e os desamores que cultivei, entre todos as coisas que pensei, sem dúvida os desamores são os mais fortes. Agora fico abstraída e permito que a dor te tê-los me invada, permito-me ser preenchida pelo calor da tortura, pela agonia e pela destreza que é sentir. A ansiedade me rasga em pedaços, um surto parece me atacar violentamente, tremedeiras começam a subir pelas minhas veias venosas passando agora pelas veias cavas, um distúrbio viciante parece me entorpecer e agora me vejo em êxtase de sentimentos. Respiro profundamente, respeito meu coração por ter escolhido sentir, respeito meu corpo por reagir dessa maneira, respeito até mesmo minha mente por se alimentar dessa tortura racional que a fazer respirar, contudo vejo que é necessário, que meus punhos se tornam mais fortes e que minha vida vigora a cada sentimento, a cada curiosidade, a cada controvérsia. Minha vida se vigora sem medo de perder, sem medo de morrer e sem medo de crescer. Ela e meus delírios se amam, gostam da ajuda mútua proporcionada por ambos, elas gostam da força através do fel. Mais calma e extasiada eu espero o efeito desproporcional passar afim de que mais tarde tudo possa recomeçar… “
Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

“Tomo um gole de insanidade, alimento-me de intensidade, perco-me no traçado errante da impulsividade e me deixo, deixo-me ir levemente até que a imensidão me engula e eu suma totalmente por dentro das suas vísceras. Pego na mão do erro, seguro e prometo nunca deixá-lo ir, faço prometê-lo também que nunca me deixará, que nunca me deixará confinada ao acerto, que ele sempre virá como resposta prévia dos meus atos ludibriantes e corretos. Ele fica, eu sorrio timidamente, permito-me até mesmo me confundir em meio às suas palavras e entre o espaçamento delicado entre elas. A agonia por um momento pareceu sumir, desapareço então por trás da fumaça estonteante do cigarro aceso na varada e me deixo ser hipnotizada pelos tormentos abstratos da minha cabeça.
Penso no “tic-tac” melancólico do relógio no segundo corredor à direita no meu apartamento, vejo as minhas oportunidades que parecem estar escorregando discretamente das mãos, vejo as cores cintilantes no céu, vejo os amores que tive e os desamores que cultivei, entre todos as coisas que pensei, sem dúvida os desamores são os mais fortes. Agora fico abstraída e permito que a dor te tê-los me invada, permito-me ser preenchida pelo calor da tortura, pela agonia e pela destreza que é sentir. A ansiedade me rasga em pedaços, um surto parece me atacar violentamente, tremedeiras começam a subir pelas minhas veias venosas passando agora pelas veias cavas, um distúrbio viciante parece me entorpecer e agora me vejo em êxtase de sentimentos. Respiro profundamente, respeito meu coração por ter escolhido sentir, respeito meu corpo por reagir dessa maneira, respeito até mesmo minha mente por se alimentar dessa tortura racional que a fazer respirar, contudo vejo que é necessário, que meus punhos se tornam mais fortes e que minha vida vigora a cada sentimento, a cada curiosidade, a cada controvérsia. Minha vida se vigora sem medo de perder, sem medo de morrer e sem medo de crescer. Ela e meus delírios se amam, gostam da ajuda mútua proporcionada por ambos, elas gostam da força através do fel. Mais calma e extasiada eu espero o efeito desproporcional passar afim de que mais tarde tudo possa recomeçar… “

Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

Começo então lentamente, com a única certeza de que meus pensamentos tão insanos e desorganizados serão acompanhados friamente pela incerteza. Uma onda de “vai e vem” e “pra lá e pra cá” parece me atacar sem pedir licença e sem avisar ao menos que irá fazer isso. Eu, devastada pela insegurança permaneço inerte por não conseguir dizer adeus. Delicadamente me agarro ao copo perdido e vazio de café, encarando-o com coragem e ansiando abusivamente por uma última gota. Não encontro. Do outro lado da cozinha há apenas um relógio que grita desesperadamente seu “tic-tac”. Eu queria ser como ele: não querer saber se irá ser irritante ou apressada demais, apenas fazer seu trabalho como deve ser. De repente eu percebi que meu coração não alojava mais as dores, não dava atenção às angústias e nem se sentia vazio. Ele sentia calor, sentia-se abraçado, sentia-se inteiro e novamente vivo, tudo isso decorrente ao fato de ter conhecido alguém, e percebo também que ele anda guardando mais alegrias, mais sorrisos e sentindo mais saudade do que melancolia. Meu coração novamente voltou a bater. Não sei se devo relutar diante deste fato tão raro que anda me acontecendo, geralmente nesses casos eu só vou e deixo ir como barco a vela no meio de um vendaval, provavelmente eu irei como um barco a vela no meio desse vendaval. Eu sei que quando penso nela sinto que não preciso de mais nada, mas normalmente as pessoas escrevem quando algo falta nelas, sobre o que escrever quando nada mais te falta? Sobre ela!  E então eu soube sem nenhuma hesitação: ela era mesmo tudo aquilo que me faltava além do café quente e o leite morno, mas dessa segunda parte a gente dá um jeito. O importante é que agora eu posso me sentir contemplada por ter a virtude do gostar, ter a virtude do sentir e por ter certeza que não preciso procurar por mais nada, desde que eu tenha o sorriso dela e que ela receba calorosamente o meu.Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

Começo então lentamente, com a única certeza de que meus pensamentos tão insanos e desorganizados serão acompanhados friamente pela incerteza. Uma onda de “vai e vem” e “pra lá e pra cá” parece me atacar sem pedir licença e sem avisar ao menos que irá fazer isso. Eu, devastada pela insegurança permaneço inerte por não conseguir dizer adeus. Delicadamente me agarro ao copo perdido e vazio de café, encarando-o com coragem e ansiando abusivamente por uma última gota. Não encontro. Do outro lado da cozinha há apenas um relógio que grita desesperadamente seu “tic-tac”. Eu queria ser como ele: não querer saber se irá ser irritante ou apressada demais, apenas fazer seu trabalho como deve ser. De repente eu percebi que meu coração não alojava mais as dores, não dava atenção às angústias e nem se sentia vazio. Ele sentia calor, sentia-se abraçado, sentia-se inteiro e novamente vivo, tudo isso decorrente ao fato de ter conhecido alguém, e percebo também que ele anda guardando mais alegrias, mais sorrisos e sentindo mais saudade do que melancolia. Meu coração novamente voltou a bater. Não sei se devo relutar diante deste fato tão raro que anda me acontecendo, geralmente nesses casos eu só vou e deixo ir como barco a vela no meio de um vendaval, provavelmente eu irei como um barco a vela no meio desse vendaval. Eu sei que quando penso nela sinto que não preciso de mais nada, mas normalmente as pessoas escrevem quando algo falta nelas, sobre o que escrever quando nada mais te falta? Sobre ela! E então eu soube sem nenhuma hesitação: ela era mesmo tudo aquilo que me faltava além do café quente e o leite morno, mas dessa segunda parte a gente dá um jeito. O importante é que agora eu posso me sentir contemplada por ter a virtude do gostar, ter a virtude do sentir e por ter certeza que não preciso procurar por mais nada, desde que eu tenha o sorriso dela e que ela receba calorosamente o meu.

Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

Cabelo de fogo, cruz das almas, vermelho sangue, vermelho amor; vermelho intenso de bocas e mais bocas, vermelho que faz o fluxo do acontecer. Vermelho da vida. Vermelho de tudo. Vermelho de rosa, Rosa vermelha. Vermelho de rios. Vermelho de dor. Vermelho de ódio. Vermelho de olhos. Vermelho pimenta, vermelho lascivo. Vermelho nocivo, vermelho carinho. Vermelho…  Vermelho que me apossa, vermelho que me domina, vermelho que me deita e me faz dormir, vermelho de imensidão abusiva. Vermelho do suor, vermelho que me atrai, vermelho que me lembra inferno. Vermelho que me lembra tudo, inclusive coração. Vermelho me persegue, vermelho me puxa, beija e diz que nunca irá soltar.  Vermelho que me lembra fogo, e fogo queima, perfura, massacra, faz apaixonar e desapaixonar.  Vermelho de lança chamas, vermelho de exclamação, vermelho de amor. Vermelho que me encobre de uma noite que mal se dorme. Vermelho que me excita, vermelho de vontade,  vermelho de saudade, vermelho de angústia,  vermelho de tristeza, vermelho de alegria. Vermelho de solução, vermelho de problema. Vermelho de pare. Vermelho perigo. Vermelho atenção!Vermelho…Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

Cabelo de fogo, cruz das almas, vermelho sangue,
vermelho amor; vermelho intenso de bocas e mais
bocas, vermelho que faz o fluxo do acontecer.
Vermelho da vida. Vermelho de tudo. Vermelho de rosa,
Rosa vermelha. Vermelho de rios. Vermelho de dor.
Vermelho de ódio. Vermelho de olhos.
Vermelho pimenta, vermelho lascivo.
Vermelho nocivo, vermelho carinho.
Vermelho… Vermelho que me apossa, vermelho que
me domina, vermelho que me deita e me faz dormir,
vermelho de imensidão abusiva.
Vermelho do suor, vermelho que me atrai,
vermelho que me lembra inferno. Vermelho que
me lembra tudo, inclusive coração.
Vermelho me persegue, vermelho me puxa, beija e
diz que nunca irá soltar. Vermelho que me lembra fogo,
e fogo queima, perfura, massacra, faz apaixonar
e desapaixonar. Vermelho de lança chamas,
vermelho de exclamação, vermelho de amor.
Vermelho que me encobre de uma noite que
mal se dorme. Vermelho que me excita,
vermelho de vontade, vermelho de saudade,
vermelho de angústia, vermelho de tristeza,
vermelho de alegria. Vermelho de solução,
vermelho de problema.
Vermelho de pare. Vermelho perigo.
Vermelho atenção!
Vermelho…

Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

Sentir-se apaixonado, apaixonar-se verdadeiramente pelas cores, pelo ar, pelo movimento fatal e naturalístico do mar, pela vasta densidade da insanidade mental, pelo peso ofuscado das ações humanas. Apaixonar-se simplesmente para se sentir apaixonado, mais leve, mais feliz, por tudo, não importando o quê, porque todos nós no final, amamos e nos apaixonamos cotidianamente sempre pelas mesmas coisas: por raspas, restos e lixos humanos; apaixonamos-nos por coisas que não prestam, mas enquanto houver a paixão, haverá a cegueira, haverá a certeza do contrário, haverá a certeza de que o amor presta por não prestar. Eu nasci pra não prestar, e eu não presto. Sempre digo que não há necessidade de choque ao ouvir isso de mim, digo que se deve agir naturalmente, como o casamento perfeito do lápis e do papel. A questão é que se sentir certo ou errado é relativo. Eu fumo, bebo, sou feliz e dou felicidade. Amo música, escrevo, dinheiro não é uma prioridade, mas reconhecimento, sim. Tudo isso pra mim é certo, e por que não seria? Só por que faz mal? Ah, claro que faz, mas respirar também faz e nunca ninguém evitou. Estamos em uma estrada e me vejo apostando quem chega mais rapidamente na linha de chegada, porque todos chegarão lá. Caminhamos na mesma linha, meu amor, o que muda são os tempos, os ventos e as direções, mas nós vamos morrer. Eu amo minha vida, amo viver, amo tê-la, amo prová-la, mas eu vou morrer, eu já estou morrendo, e que se for de morrer, que eu morra feliz. Felicidade pra mim é boemia, é canto, é álcool, é cigarros, é calma e agitação, é paranóia, sobretudo a felicidade se dá pelo dom de não controlar destino, mas sim deixar que ele nos controle. Felicidade pra mim se resume aos amigos aos quais dou amor como se estivesse dando a vida, resume-se à compreensão, resume-se ao companheirismo, resume-se como no geral ao respeito. Só é feliz aquele que ama, aquele que ama respeita apesar de não concordar, então toda felicidade vem acompanhada de respeito, tolerância. Eu amo o pensar diferente do meu, amo a pessoa que teima em dizer que sua tese está correta, amo quando alguém prova que eu estou errada, mas amo mais ainda quando no final todos se abraçam e compartilham a sua humildade, amo quando tudo no final resulta em Chico Buarque tocando, cada um com seus uísques, um som bem engajado ao violão e todos gargalhando e aproveitando o não prestar de suas vidas. O que eu posso dizer? Eu amo não prestar, eu gosto de chamar atenção dos outros seres humanos pela forma como eu escolhi morrer, mas que diferença isso faz? Do pó viemos, ao pó voltaremos…Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

Sentir-se apaixonado, apaixonar-se verdadeiramente pelas cores, pelo ar, pelo movimento fatal e naturalístico do mar, pela vasta densidade da insanidade mental, pelo peso ofuscado das ações humanas. Apaixonar-se simplesmente para se sentir apaixonado, mais leve, mais feliz, por tudo, não importando o quê, porque todos nós no final, amamos e nos apaixonamos cotidianamente sempre pelas mesmas coisas: por raspas, restos e lixos humanos; apaixonamos-nos por coisas que não prestam, mas enquanto houver a paixão, haverá a cegueira, haverá a certeza do contrário, haverá a certeza de que o amor presta por não prestar. Eu nasci pra não prestar, e eu não presto. Sempre digo que não há necessidade de choque ao ouvir isso de mim, digo que se deve agir naturalmente, como o casamento perfeito do lápis e do papel. A questão é que se sentir certo ou errado é relativo. Eu fumo, bebo, sou feliz e dou felicidade. Amo música, escrevo, dinheiro não é uma prioridade, mas reconhecimento, sim. Tudo isso pra mim é certo, e por que não seria? Só por que faz mal? Ah, claro que faz, mas respirar também faz e nunca ninguém evitou. Estamos em uma estrada e me vejo apostando quem chega mais rapidamente na linha de chegada, porque todos chegarão lá. Caminhamos na mesma linha, meu amor, o que muda são os tempos, os ventos e as direções, mas nós vamos morrer. Eu amo minha vida, amo viver, amo tê-la, amo prová-la, mas eu vou morrer, eu já estou morrendo, e que se for de morrer, que eu morra feliz. Felicidade pra mim é boemia, é canto, é álcool, é cigarros, é calma e agitação, é paranóia, sobretudo a felicidade se dá pelo dom de não controlar destino, mas sim deixar que ele nos controle. Felicidade pra mim se resume aos amigos aos quais dou amor como se estivesse dando a vida, resume-se à compreensão, resume-se ao companheirismo, resume-se como no geral ao respeito. Só é feliz aquele que ama, aquele que ama respeita apesar de não concordar, então toda felicidade vem acompanhada de respeito, tolerância. Eu amo o pensar diferente do meu, amo a pessoa que teima em dizer que sua tese está correta, amo quando alguém prova que eu estou errada, mas amo mais ainda quando no final todos se abraçam e compartilham a sua humildade, amo quando tudo no final resulta em Chico Buarque tocando, cada um com seus uísques, um som bem engajado ao violão e todos gargalhando e aproveitando o não prestar de suas vidas. O que eu posso dizer? Eu amo não prestar, eu gosto de chamar atenção dos outros seres humanos pela forma como eu escolhi morrer, mas que diferença isso faz? Do pó viemos, ao pó voltaremos…

Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

“A caneta tintila entre as cores abstratas do papel, a caneca de café do lado esquerdo da mesa ousa se aproximar friamente para lembrar que está esperando que alguém tire dela mais um gole, as cartas ainda não abertas estão em cima do criado-mudo, a louça suja desistiu de chamar alguém para limpá-la, a cama desarrumada ainda com cheiros, suor, lençóis e edredons chama atenção, a poeira em cima do raque grita, a barba que tomou de conta aos poucos,  tornou meu rosto irreconhecível e acrescentou uns anos ainda não ganhos à minha existência. Os quadros mudos me olham, eu, mudo, olho-os também. Com uma caixa de cereal quase vazia, continuo comendo aguardando esperançosamente encontrar sobriedade no final do pacote como brinde. Não encontro. Levo outro gole de café à minha boca, deixo com que meus lábios se agraciem delicadamente pelo sabor deixando-os umedecidos, engulo. Ouço novamente a caneta tintilando sobre o papel, chamando-me para uma contemplação farta e espontânea dos meus breves pensamentos insanos, idéias descompassadas e inquietantes. Começo a perceber a sincronização paciente que tenho ao lidar com os meus dias, ao lidar com a bagunça apavorante da minha casa – e queria eu que fosse só da minha casa, mas minha imparcialidade social chamada vida, vai junto. Eu apenas deixo – . Eu olho pra ela, ela me olha, não posso dizer se orgulhosa ou se curiosa, se enfurecida ou compreensiva, mas ela me olha calmamente e sem desvios, como se quisesse me passar mundos através do ato. Acho que a vida me quer de alguma forma, não importa qual, por que senão, qual seria a lógica para tanta troca de olhares? Eu não sei por onde começar, em termos de organização eu sou falho e irracional, eu não conseguiria funcionar com tudo nos seus devidos lugares, porque o lugar de cada coisa está em se perder na bagunça dos meus pensamentos. Não tenho espaço emocional para tanta vida, para querer a vida como ela me quer, preciso de um tempo para que o ócio seja meu companheiro, que a solidão seja minha guia, que a escuridão seja meu conforto por não me fazer enxergar o que eu não quero no momento, que a caneta titilante e o papel com as cores abstratas sejam meus melhores amigos, e que o café que acalma minha impaciência  e desperta minha alma seja meu único vício. Farto e satisfeito de pequenas coisas que no momento me preenchem, de mentiras que não me abusam, de verdades à minha espera, eu sopro a poeira em cima do raque para tudo poder recomeçar. Eu irei enfrentar encontros e desencontros, mas me entenda que no momento o que estou fazendo é me modificar, me tornar uma poupança de força, porque futuramente eu irei usá-la desmedidamente. Por todos esses motivos, eu apenas deixo…”Isllane Letícia Rodrigues Barboza 

“A caneta tintila entre as cores abstratas do papel, a caneca de café do lado esquerdo da mesa ousa se aproximar friamente para lembrar que está esperando que alguém tire dela mais um gole, as cartas ainda não abertas estão em cima do criado-mudo, a louça suja desistiu de chamar alguém para limpá-la, a cama desarrumada ainda com cheiros, suor, lençóis e edredons chama atenção, a poeira em cima do raque grita, a barba que tomou de conta aos poucos, tornou meu rosto irreconhecível e acrescentou uns anos ainda não ganhos à minha existência. Os quadros mudos me olham, eu, mudo, olho-os também. Com uma caixa de cereal quase vazia, continuo comendo aguardando esperançosamente encontrar sobriedade no final do pacote como brinde. Não encontro. Levo outro gole de café à minha boca, deixo com que meus lábios se agraciem delicadamente pelo sabor deixando-os umedecidos, engulo. Ouço novamente a caneta tintilando sobre o papel, chamando-me para uma contemplação farta e espontânea dos meus breves pensamentos insanos, idéias descompassadas e inquietantes. Começo a perceber a sincronização paciente que tenho ao lidar com os meus dias, ao lidar com a bagunça apavorante da minha casa – e queria eu que fosse só da minha casa, mas minha imparcialidade social chamada vida, vai junto. Eu apenas deixo – . Eu olho pra ela, ela me olha, não posso dizer se orgulhosa ou se curiosa, se enfurecida ou compreensiva, mas ela me olha calmamente e sem desvios, como se quisesse me passar mundos através do ato. Acho que a vida me quer de alguma forma, não importa qual, por que senão, qual seria a lógica para tanta troca de olhares? Eu não sei por onde começar, em termos de organização eu sou falho e irracional, eu não conseguiria funcionar com tudo nos seus devidos lugares, porque o lugar de cada coisa está em se perder na bagunça dos meus pensamentos. Não tenho espaço emocional para tanta vida, para querer a vida como ela me quer, preciso de um tempo para que o ócio seja meu companheiro, que a solidão seja minha guia, que a escuridão seja meu conforto por não me fazer enxergar o que eu não quero no momento, que a caneta titilante e o papel com as cores abstratas sejam meus melhores amigos, e que o café que acalma minha impaciência e desperta minha alma seja meu único vício. Farto e satisfeito de pequenas coisas que no momento me preenchem, de mentiras que não me abusam, de verdades à minha espera, eu sopro a poeira em cima do raque para tudo poder recomeçar. Eu irei enfrentar encontros e desencontros, mas me entenda que no momento o que estou fazendo é me modificar, me tornar uma poupança de força, porque futuramente eu irei usá-la desmedidamente. Por todos esses motivos, eu apenas deixo…”

Isllane Letícia Rodrigues Barboza